A Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno)

INTRODUÇÃO

Há quase 400 anos, o rei Felipe III de Espanha (retratado na imagem, à esquerda) ordenou ao engenheiro Alonso Turrillo de Yebra de fundar uma Casa da Moeda em Santa Fé de Bogotá. Turrillo chegou ao Novo Reino de Granada e se instalou em uma das primeiras edificações da cidade, dando início aos trabalhos que possibilitariam a cunhagem de moedas (macuquinas de prata) no território, a partir de 1621.
Por muito tempo aquela fábrica de moeda foi somente uma espécie de “ferraria”, com ferramentas para fundir, laminar e afiar, instalada num local que contava apenas com alguns pequenos edifícios ao seu redor e algumas edificações rudes, construídas entre as atuais ruas 11ª e 5ª. Nesse local se cunharam, entre outras, as primeiras moedas de ouro feitas na América.

Em meados do século XVIII, o rei Fernando VI ordenou a ampliação do edifício para que seus espaços se adequassem às necessidades de produção mecanizada, com a cunhagem de novas moedas de melhor fatura. À parte a fundição, o engenho e o moinho de laminação movido por mulas, que com o tempo desapareceram, a Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá, como hoje a conhecemos, é fundamentalmente aquela que resultou após a ampliação, reinaugurada pelo vice-rei Solís em 1756. Suas iniciais são NR (Nuevo Reyno) e se devem aos documentos de abertura que citaram o território, ao invés da capital Santa Fé.


PREÂMBULO

Em 1565, em consequência do prejuízo que a falta de moeda miúda impunha ao comércio, à arrecadação de tributos e a vida cotidiana da população do Novo Reino, Felipe II (na imagem à esquerda) havia autorizado a fundação de uma Casa da Moeda em Santa Fé, a qual, por razões circunstanciais e semelhantes às atribuídas às demoras ocorridas em Lima, não chegou a funcionar, mesmo que tenham sido remetidos para a região, os ferros e ferramentas necessárias aos trabalhos de cunhagem. Foi mediante a um documento real (Cédula Real) editado em Madrid, em 1º de Abril de 1620, quando Felipe III mandou fundar uma Casa da Moeda em Bogotá para cunhar moedas de ouro, prata e bilhão (liga metálica de baixo teor de prata); e uma oficina no porto de Cartagenas, autorizada a fabricar somente peças de bilhão que deveriam ser destinadas, a exemplo daquelas fabricadas em Santa Fé, ao uso no comércio miúdo.

Enquanto a Lei e as dimensões das moedas cunhadas se ajustavam, uniformizando-se àquelas usadas nos reinos da Espanha, ou seja de onze dinheiros e quatro grãos, com sessenta e sete Reais para cada marco de prata; e vinte e dois quilates para sessenta e oito escudos por marco de ouro, as peças de bilhão deveriam ser, de acordo com a Lei que autorizava o seu fabrico, de 20% de prata e 80% de cobre, com uma tiragem de 25 reais por marco. Abaixo, à esquerda, o documento real ordenando a abertura de Casa para cunhar moedas no Nuevo Reyno.

Uma das limitações impostas a Turrillo de Yebra, e que perduraria na Casa da Moeda de Santa Fé durante todo século XVII, era a de que as moedas de ouro fabricadas nessa Casa deveriam se limitar apenas aos valores de um e dois escudos.

A oficina de Cartagena, pensada para cunhar moedas de bilhão, teve curta e agitada duração. Turrillo de Yebra recebeu autorização para cunhar sessenta mil ducados da menionada moeda, porém a reação da população, liderada por Sancho Girón, governador e capitão geral da Província foi tão enérgica qu enem mesmo as ordens reais conseguiram terminar com as manifestações populares, atrapalhando o trabalho de Turrillo que conseguiu cunhar somente 5.409 pesos, dos quais não conhecemos nenhum exemplar, apesar dos registros confirmarem sua fabricação.

Os argumentos usados por Turrillo para tentar convencer a população que não haveriam perdas para aqueles que decidissem trocar suas moedas de prata pelas de bilhão, mesmo que fossem verdadeiros, não convenceu, principalmente aos comerciantes portuários que temiam, com razão, que a moeda de liga metálica fraca terminaria por suplantar a boa moeda, acabando com a desordem financeira que para eles se traduzia em real possibilidade de lucros, devido às leis antigas que regiam a cunhagem e o comércio naquela região.

Figura acima: O único exemplar conhecido (da mais alta raridade) - Cunhagem de Cartagena - 1/2 real de Felipe III 1622 (1625), não catalogado em diversas publicações, catalogado como peça única em Coins of Colombia, 1619-2012 - Spanish Colonial and Republican) de Jorge Emilio Restrepo, M15 (uma conhecida). VF30 NGC.
Anverso: Escudo de Castelos e Leões, “R” em cima de “N” (NUEVO REYNO) à esquerda, e sigla A do ensaiador, à direita. “PHIL (III DG LIPPVS)” à direita.
Reverso: Romã entre colunas coroadas de Hércules com P (LVS) à esquerda e V (LTRA) à direita, com a legenda parcialmente visível na periferia, à esquerda da moeda “(RE) X 1.622.”. W: 4,72 gramas. De máxima importância histórica.
Esta moeda enigmática tem deixado perplexos os numismatógrafos especializados em cunhagens na América Espanhola, desde a sua aparição, há 10 anos, em um leilão de Áureo (3/2003, lote 87)
A sua extrema raridade nunca foi posta em dúvida, sendo reconhecida como única por todos, incluindo Restrepo. Tendo a moeda na mão e depois de analisar a documentação contemporânea (a maioria dos quais publicados na obra de Friede Documentos sobre la Fundación de la Casa de Moneda en Santa Fé de Bogotá (1614-1635) , o catalogador é capaz de dar mais algumas idéias sobre a peça mais importante entre as questões iniciais e fascinantes que envolvem as cunhagens  colombianas. Em primeiro lugar, é útil para estabelecer que os únicos períodos a que esta peça podem ser atribuídos são os do “vellon rico”  (bilhão enriquecido) de 1622, feita tanto em Cartagena, ou Santa Fe, ou durante as cunhagens de “baja plata”  (prata baixa) nas cnhagens de 1625-1626.
Pelo Real Decreto de 1º de Abril de 1620, Felipe III autorizou a abertura de uma Casa da Moeda em Santa Fé, tendo como Diretor desta Casa, o engenheiro Alonso Turrillo de Yebra, que já havia apresentando ao soberano o projeto de sua abertura. Junto com muitas das denominações usuais (a partir do 1/2 real até o 8 Reales em prata, e os 1 e 2 Escudos em ouro), de acordo com os regulamentos de cunhagem então em vigor, deveriam também ser cunhadas moedas de 1/4 real, em bilhão, liga que consiste em uma mistura de uma parte de prata (20%), para cada quatro partes de cobre (80%), com um peso de 2,301 gramas. O montante autorizado foi de 300.000 ducados.
De acordo com o projeto idealizado por Turrillo de Yebra, no reverso iria constar uma romã (símbolo do Novo Reino de Granada) entre as duas colunas de Hércules, sendo o conjunto ladeado pelas letras P e V de PLVS VLTRA. Convém ressaltar que esta cunhagem em bilhão foi de extrema importância para se obter a aprovação real do empreendimento, haja vista que a sua composição fortemente degradada resultaria em um benefício líquido de 40% do valor total das emissões, para o próprio rei. Turrillo até inventou um especial engenho (prensa de cunhagem) para fabricar estas moedas com mais eficácia e rapidez.
Mais tarde, pelo Real Decreto de 10 de Junho de 1620, uma Casa da Moeda foi aberta em Cartagena, também autorizada a cunhar moedas de 1/4 de Real de baixa fatura, em bilhão enriquecido, para substituir a prata boa então em circulação. Em 9 de Maio de 1621, Turrillo finalmente chegou a Cartagena com equipamentos para dar início aos trabalhos da Casa da Moeda, acompanhado de seus oficiais (incluindo o ensaiador de sigla “A”, cuja identidade ainda é desconhecida). Em julho do mesmo ano (com duas ordens sucessivas desse mesmo mês de Maio), a “Audiência de Santa Fé”, finalmente autorizou a cunhagem de 60.000 ducados em moedas de ¼ de real, em bilhão, em Cartagena. Na prática, esta foi a autorização formal para que a Casa da Moeda iniciasse as cunhagens. Contudo as autoridades de Cartagena iriam resistir à produção de moedas de baixa fatura, temendo as consequências de um problema sério devido à troca de moedas de boa fatura, de prata, por outras degradadas, cunhadas em liga de prata baixa.
O que aconteceu depois é ainda objecto de alguma controvérsia, mas de acordo com o depoimento posterior de Turrillo entendemos que diante da desobediência das autoridades do Cartagena, ele (Turrillo) se viu obrigado a transferir o equipamento e os oficiais para Santa Fé, onde o primeiras moedas foram finalmente cunhadas, incluindo alguns quartos de Real, em bilhão, que aparentemente foram bem aceitos, quando postos em circulação.
Estes primeiros problemas podem muito bem ser os únicos datados de 1619-1622, que mostram um ensaiador inicial “A”, e a marca S, SF, ou NR. Se essas primeiras emissões foram cunhadas em Cartagena ou em Santa Fé (ou em ambos os locais) é irrelevante para a análise das próprias moedas, visto que os mesmos moldes teriam sido usados em diferentes locais de cunhagem. Entre Fevereiro e Abril de 1622, Turrillo retornou à Cartagena levando consigo o equipamento de e oficiais da Casa da Moeda, e tentou reiniciar as operações de cunhagem naquela Casa. Não obtendo o sucesso desejado, em seguida partiu para a Espanha para reclamar pessoalmente com o Rei, relatando a hostilidade das autoridades de Cartagena, ao dificultar suas operações de cunhagem (Turrillo chegou a Havana de 22 de Agosto de 1622, de acordo com o seu próprio testemunho). Evidentemente, não foram feitas muitas moedas de ¼ de Real em bilhão, entre 1621 e 1622; Barriga Villalba cita um total de 5.409 pesos em cunhagens dessa moeda de baixa fatura, emitidas durante esse período. Não existem outras moedas cunhadas em qualquer uma das duas Casas entre a partida de Turrillo e o seu retorno a Cartagena em 1625. Essa moeda só pode ter sido cunhada no início de 1622, ou entre Março de 1625 e Agosto de 1626. Estes são os únicos dois períodos durante os quais uma das duas Casas (Cartagena ou Santa Fé) estiveram em atividade, pois a cunhagem em prata baixa foi proibido em seguida.
Se a primeira hipótese (cunhada em 1622) for aceita, então Turrillo fabricou a moeda, contrariando as regras então em vigor uma vez que apenas moedas de ¼ de Real foram autorizadas
A segunda hipótese (cunhada entre Março de 1625 e Agosto de 1626) implica em dizer que Turrillo empregou matrizes de 1622 durante os anos de 1625 e 1626 1625-1626, teoria mais aceita com base em outros exemplares, como as moedas de 1619 (que não poderiam ter sido cunhadas antes de 1621). Além disso, um aspecto fundamental é que Turrillo reclamou e declarou que estas novas moedas de prata baixa (as novas denominações de ½ e 1 Real) eram mais espessas, e seria muito difícil cunhá-las com o dispositivo que ele havia inventado para a cunhagem em bilhão. Se Turrillo usou o mesmo dispositivo para todas as cunhagens de prata baixa, faria sentido usar o romã entre pilares no reverso, o que havia sido projetado para as cunhagens de moedas de ¼ de Real.

Assim, deve-se atribuir a esta moeda, a condição de único exemplar conhecido de ½ Real em “plata baja” (prata baixa), entre os que foram provavelmente cunhados entre 1625-1626.


SOBERANOS QUE BATERAM MOEDA EM SANTA FÉ DE BOGOTÁ

Governo de Felipe V (1683 – 1746) - Neto do rei Luis XIV de França, subiu ao trono da Espanha porque sua avó, a rainha Maria Teresa, mulher do rei Sol, era filha em primeiras núpcias de Felipe IV de Espanha, e meio-irmã do último rei espanhol da dinastia dos Absburgos, Carlos II da Espanha.

O desastroso governo do Vice-Rei Jorge de Villalonga desencadeou o processo que viria a por fim ao Vice-reinado, retornando o Novo Reino e sua antiga forma de governar. Porém, em 1739 voltou a restabelecer-se o Vice-reinado por Ordem Real de 20 de Agosto, com jurisdição nas Províncias de Santa Fé, Nuevo Reyno de Granada, Chocó, Popayán, Antioquia, Cartagena, Panamá, Protobelo, Darién, Rio Hachas, Caracas, Guayana e Rio Orenoco, Maracaibo e Cumaná, e no reino de Quito e Guayaquil e nas ilhas de Trinidad e Margarita.

Quando a coroa considerava que a criação de uma nova Casa da Moeda nas Províncias espanholas da América, não era adequado nem tampouco rentável, concediam seus direitos a privados, os quais, mediante pagamento de percentuais, mais a obrigação de custear as instalações necessárias, adquiriam o privilégio perpétuo, em foro de herança, na condição de Tesoureiros das oficinas que fundavam.  Felipe III, em 1620, deu a ordem de criar a Casa da Moeda em Santa Fé. Dois anos depois esta Casa começou a funcionar com o sistema manual de cunhagem a martelo, seguidamente encerrando suas atividades para, de novo, se restabelecer em 1739, durante o Vice-reinado.


Em 1718, Felipe V concedeu a José Prieto de Zalazar o privilégio de reabrir uma ou mais Casas da Moeda, por sua conta e risco, no Novo Reino de Granada. A Casa por ele fundada passou a funcionar em breve tempo, passando a seus herdeiros e sucessores até ser, finalmente, incorporada à Coroa em 1751.

Siglas dos ensaiadores da Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno)

M. A sigla pertence a Miguel Molano que em 18 de Agosto de 1732 foi nomeado ensaiador da Casa da Moeda de Santa Fé, sbustituído por Sánchez de la Torre, devido à sua enfermidade.


S. Apesar de alguns autores sustentarem que se trata da sigla de Sebastián Rivera, somos de opinião que pertença a Sánchez de la Torre que, antes de substituir Miguel Molano, já trabalhava na Casa da Moeda como auxiliar do mestre ensaiador.


Governo de Fernando VI (1713 – 1759) - Fernando (Ferdinando) VI nasceu no Real Alcázar de Madrid, em 23 de Setembro de 1713, filho do rei Filipe V de Borbone e de Maria Luisa Gabriella de Savóia. Foi rei da Espanha de 1746 até a sua morte. 

Marcas FS, SF e NR - Cunhagem a martelo e a moinho.

A marca da Casa da Moeda de Santa Fé foi uma das que mais mudou entre todas as outras das Províncias espanholas. É encontrada com as siglas FS, ou também invertida SF, e também NR de Nuevo Reyno. Nesta última, as iniciais não fazem referência ao nome da cidade onde a Casa da Moeda estava instalada, mas sim ao território (Nuevo Reyno) do qual Santa Fé era a capital. A explicação para isso é que nos acordos (documentos) realizados entre o monarca e o concessionário da exploração da Casa da Moeda, era mencionado apenas o território e não a capital. 

Santa Fé foi, juntamente com Guatemala e Lima, uma das três Casas da Moeda que variou seu sistema de cunhagem de moedas durante o reinado de Fernando VI. Durante o governo desse monarca foram fabricadas onças (moedas de ouro de 8 escudos) macuquinas e circulares, com busto e cordão. Estas últimas, cunhadas a moinho, foram fabricadas a partir do ano de 1756, enquanto as macuquinas seguiram circulando muitos anos depois de terem suspendido sua produção, apesar das leis proibirem o seu uso. Seu aspecto tosco, agravado pelo cerceio fraudulento, terminou por decretar seu recolhimento e fundição, o que consequentemente as tornaram raras, haja vista a pequena quantidade que resistiram até os nossos dias.

Siglas dos ensaiadores da Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno)

J. Esta sigla pertence a José Prieto Salazar ou a Joaquín de Burgos, não se sabe ao certo.

JV. São as siglas de Juan de Chávez e de Victoriano del Valle, que ensaiaram conjuntamente as onças de 1759 e 1760. Ambos continuaram como ensaiadores no governo de Carlos III.


S. A sigla pertence, provavelmente, a Sebastián de Rivera, que iniciou como ensaiador em 1744, prosseguindo com seu tarbalho durante o governo de Felipe V. Na figura acima, circundado em vermelho, as letras NR da Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno) e a inicial S do ensaiador.

SJ. Possivelmente pertencem a José Sanchez de la Torre e a José Prieto Salazar. Algusn autores sustentam que sejam as silgas de Sebastián Rivera e de Joaquín de Burgos.


Governo de Carlos III (1716 – 1788) - Foi duque de Parma e Piacenza com o nome de Carlos I, de 1731 a 1735; rei de Nápoles e da Sicilia (era Carlos VII de Nápoles, segundo o provimento papal, mas nunca usou tal ordenança). Era, contudo, Carlos III rei da Sicilia, de 1735 a 1759, e deste ano até a morte do rei da Espanha com o nome de Carlos III.

Primogênito de segundas núpcias de Filipe V de Espanha, com Elisabetta Farnese, durante a sua infância era o terceiro na linha de sucessão ao trono espanhol, o que fez com que sua mãe se apressasse em lhe arrumar uma coroa na Itália, reivindicando a antiga e potente linhagem dos Farnese e dos Medici, duas dinastias italianas, nessa época próximas da extinção. Graças a uma eficaz combinação de diplomacia e intervenções armadas, sua mãe conseguiu obter das potências européias o reconhecimento dos direitos dinásticos de Carlos sobre o Ducado de Parma e Piacenza, do qual veio a se tornar duque em 1731, sendo declarado no ano seguinte como príncipe herdeiro do trono de Espanha.

Dentro do Vice-reinado de Santa Fé ou de Nova Granada, existiam duas Casas da Moeda, uma de Popayán e outra que cunhou sob o reinado de Carlos III, sempre com a marca NR.
Existem três tipos de busto incisos nas moedas durante esse período: De 1760 a 1762 com o perfil de Fernando VI. De 1762 a 1771 passou a ser gravado o busto de Carlos III, com traços juvenis e semelhantes aos cunhados nas Casas da Moeda de Madrid em 1760, Sevilha em 1762, Guatemala de 1765 a 1770, Lima de 1763 a 1768, México de 1762 a 1771 e Santiago de 1765 a 1770. Finalmente, de 1772 a 1789, foi usado no anverso, o busto usual de Carlos III, como o conhecemos. No primeiro ano de seu reinado, em Santa Fé, não foram cunhadas moedas de ouro e nem de prata.  

Siglas dos ensaiadores da Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno)

JJ. As sigla pertencem a Juan de Chávez e a Juan Rodríguez Uzquiano. Este último, em 17 de Outubro de 1759, tomou posse do cargo de ensaiador, sendo ordenado Ensaiador Maior, em 7 de Junho de 1764.

JV. Estas siglas pertencem ao anteriormente mencionado Juan de Chávez e a Victorino del Valle, que de 1760 a 1769 passaram a colocar suas iniciais nas moedas de Santa Fé.

V. É provavelmente a sigla de Victoriano del Valle.

VJ. São as siglas de Victoriano del Valle e de Juan Chávez que a partir de 1770 invertem a ordem das iniciais, colocando primeiro a sigla V, seguida da sigla J


O raríssimo Colunário 1770 NR Nuevo Reino, sob o governo de Carlos III

Poucas moedas no mundo despertam tanto interesse numismático como os Colunários (pillar dollars), cunhadas entre 1732-1773, em inúmeras Casas da Moeda espanholas nas Américas. Na segunda metade do século XVIII, os Colunários tinham se tornado uma moeda de aceitação mundial, amplamente utilizada na Europa, nos Estados Unidos (onde tinha curso legal) e no Extremo Oriente. 

Figura: Raríssimo Colunário de 1770 NR Nuevo Reino - Ensaiadores VJ (Victoriano del Valle e Juan de Chávez que trocaram as suas iniciais JV, usadas até 1769, por VJ, usadas a partir de 1770); não catalogada no Cayon, Calicó 1000, MS64 NGC. Leiloada nos EUA por Heritage, leilão 3005 de Maio de 2009, lote 20694, por US$ 80.500,00 (dólares americanos), equivalentes, ao câmbio de hoje, a R$ 290.000,00 (duzentos e noventa mil reais).
O antigo e novo mundos são retratados no anverso da moeda, coroados entre os dois pilares de Hércules com a legenda “VTRAQUE VNUM” (ambos são um). No reverso, nas Armas de Castela e Leão são exibidos sob a coroa espanhola, o valor de circulação “8”, à direita, e as iniciais VJ dos gravadores, à esquerda. De todos os Colunários cunhados, as peças fabricadas em Santa Fé de Bogotá, Nueva Granada (hoje Colômbia), na Casa da Moeda de Nuevo Reyno, são talvez as mais desejadas entre os colecionadores e numismatas em todo o mundo. 

Estas moedas só foram cunhadas em 1759, 1762 e 1770, todas extremamente raras com pouquíssimos exemplares conhecidos. O Colunário de 1770, cunhado na Casa da Moeda de Nuevo Reyno, era desconhecido até cerca de três anos atrás, quando exatamente 14 (quatorze) moedas foram encontrados nas antigas fundações da Igreja Nuestra Señora del Pilar, em Bogotá.

Esta igreja, que também foi um convento e escola para meninas, existiu de 1770 até 1948, quando foi incendiada durante grandes tumultos em Bogotá. A igreja foi finalmente demolida, e a área foi transformada em um parque de estacionamento. Alguns anos atrás, começou a construção de um novo edifício. Quando os operários se ocupavam das escavações no parque, encontraram um pequeno grupo de moedas entre as ruínas da antiga igreja; entre elas os quatorze Colunários datados 1770 da Casa da Moeda do Nuevo Reyno. 

De acordo com a tradição espanhola, quando é colocada a primeira pedra da fundação de um edifício, esta é abençoada e, em casos particulares, esculpida, gravada, e moedas são colocadas em seu interior. Dentro desta pedra, mais de 100 (cem) moedas foram encontradas, a maioria delas macuquinas de 2 Reales, algumas moedas de ouro, e numerosos Colunários provenientes do México. Como não há registros anteriores de Colunários de 1770 do Nuevo Reyno, é provável que estas peças tenham sido cunhadas extraordinariamente para as cerimônias da Igreja Nuestra Señora del Pilar. Todas as moedas encontradas foram vendidas para colecionadores privados e museus na Colômbia e Espanha. O comprador original das moedas manteve as duas de melhor qualidade para si próprio (uma delas pode ser vista na imagem acima). Com uma cunhagem muito bem centralizada, batida forte e nítida, a maioria delas conservou grande parte do seu brilho original.


Governo de Fernando VII (1784 – 1833) - Foi o Rei da Espanha em dois períodos: durante três meses em 1808, até à sua abdicação, e novamente, após sua restauração em 1813 até à data da sua morte. Depois de ser tirado do trono por Napoleão Bonaparte, ligou sua monarquia a medidas contra-revolucionárias e reacionárias, criando uma enorme rixa entre seus apoiadores de direita e os liberais de esquerda. Reestabeleceu o absolutismo na Espanha e rejeitou a constituição liberal de 1812. Reprimiu a imprensa e prendeu muitos dos editores e escritores. A Espanha acabou entrando em um período de guerra civil após a sua morte, quando foi sucedido por sua filha Isabel II. 

A Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá cunhou onças e escudos, sempre com o busto de Carlos IV, em todos os anos que compreendem o reinado de Fernando VII, até a sua independência. As onças de Fernando VII, cunhadas em Santa Fé e em Popayán tem seu nome abreviado FERDND em lugar de FERDIN, como gravavam as outras Casas da América Espanhola
No período que vai de 1813 a 1815, foi interrompida a cunhagem em prata na Casa da Moeda de Santa Fé, que voltou a cunhar moedas argênteas a partir de 6 de Maio de 1816, dia em que as tropas reais ocuparam novamente a cidade. Durante a Guerra pela Independência e devido aos ataques constantes que o exército do monarca sofria constantemente, tentaram fundar uma terceira Casa da Moeda no Vice-reinado de Nova Granada, tendo sido escolhida Medellín com grande apoio da população, idéia rechaçada pelo governo.

Siglas dos ensaiadores da Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno)

JF. Estas siglas pertencem a Juan Anbtonio Rodríguez Ezquiano e a Francisco Rodríguez.

JJ. Estas siglas pertencem a Juan Anbtonio Rodríguez Ezquiano e a Juan José Truixillo y Mutienz, ensaiadores de 1789 a 1808.